Ora vivam caros convivas deste espaço blogoesférico. Cá venho eu falar-vos de mais um hábito tipicamente português, o de opinar sobre qualquer assunto. É algo já tipicamente aceite que o "Tuga" gosta de opinar sobre o que quer que seja, mesmo que não domine o assunto em questão, ou até mesmo que o assunto em questão não seja sequer um assunto... isto é, quem manda bitaites sobre algo que não percebe, pode muito bem inventar também um assunto sobre o qual mandar bitaites.
A arte de mandar bitaites não é apenas um dom que nasce com o "Tuga", é algo que tem de ser trabalhado, e muitas vezes o seu surgimento nas qualidades do "Tuga" coincide com o seu grau de "xico-espertice", ainda que provar que os dois atributos estão intrínsecamente ligados, tem sido algo difícil de comprovar pela comunidade científica.
O bitaite é algo que faz parte da nossa cultura, já desde os tempos longínquos dos séculos XV e XVI, que mais não foram do que o auge dessa arte milenar do povo lusitano de opinar sobre tudo e qualquer coisa. Resolveram opinar sobre a possibilidade de navegar até à Índia, ou de que era possível dar à volta à Terra, sugerindo que a mesma era redonda. Tão convictamente preferiram estes bitaites que houve quem acreditasse nos mesmos e assim puderam realizar os seus desejos de passar férias em destinos paradísiacos com o pretexto de que as viagens eram demoradas e perigosas. Cá está novamente a "xico-espertice" à mistura. O que é certo é que em tantos bitaites, muitos foram certeiros, e desde então, sempre que alguém opina sobre algo temos tendência a dar-lhe ouvidos, nem que seja para nos rirmos com o disparate que julgamos ouvir.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
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1 comentário:
Meu caro primo, não querendo mandar um bitaite tipicamente tuga, acho que devo opinar sobre o seu texto (e não será um bitaite?)! Pois bem, acho que está bastante bem escrito, com categoria pá! Aposto é que não és capaz de ir a nado até ao Japão! conheco um gajo que foi até às Caraibas num barco a remos que roubou ali da praia da Trafaria! e só demorou 3 horas e meia pá! Sim é possível!! por causa das correntes quentes e frias! Até parece que o barco voa pá! Os cacilheiros do Tejo às vezes veêm-se aflitos para lhes fugir...(!)
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